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Pricila Cristina Baade

Pricila Cristina Baade

Olhar apenas para o preço marcado na prateleira não mostra toda a situação vivida pelas famílias. Para saber se a alimentação está mais ou menos acessível, também é preciso observar a renda e quanto cada salário consegue comprar.

Essa é uma parte da discussão que a extrema direita costuma esconder. A comida ainda está cara porque os valores atuais partem de um patamar elevado, formado pelos sucessivos aumentos registrados no governo Bolsonaro. Isso, porém, não significa que o poder de compra continue seguindo a mesma trajetória daquele período.

Desde 2023, o salário mínimo voltou a ser reajustado acima da inflação. Trabalhadores, aposentados e beneficiários vinculados ao piso nacional passaram a ter ganho real.

A diferença ajuda a explicar por que preço e poder de compra não são a mesma coisa. Um alimento pode continuar custando caro, mas comprometer uma parcela menor da renda quando os salários crescem acima da inflação.

Exemplo em números reais

Veja abaixo a trajetória de elevação do salário mínimo. É notável a diferença de reajustes entre os governos de Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Somente no último o salário voltou a ter reajustes com aumento real acima da inflação.

Esses reajustes são usados como base cálculo para várias negociações salariais e, em especial, para o reajuste das aposentadorias. Flavio Bolsonaro, em seu plano de governo, prevê desvincular do salário mínimo os aumentos dos benefícios.

Ano de Vigência

Valor do Salário Mínimo

2018

R$ 954,00

2019

R$ 998,00

2020 (Janeiro)

R$ 1.039,00

2020 (Fevereiro)

R$ 1.045,00

2021

R$ 1.100,00

2022

R$ 1.212,00

2023 (Janeiro)

R$ 1.302,00

2023 (Maio)

R$ 1.320,00

2024

R$ 1.412,00

2025

R$ 1.518,00

2026 (Atual)

R$ 1.621,00

2027 (Projeção)

R$ 1.741,00



Emprego e programas de renda

A recuperação não se limita ao valor do salário mínimo. A geração de empregos formais, a redução do desemprego e a retomada do Bolsa Família também ampliaram a renda disponível para alimentação.

Essas políticas não alteram diretamente a etiqueta encontrada no supermercado. Mas determinam se uma família consegue comprar os produtos de que necessita e quanto do orçamento ficará comprometido com as despesas básicas.

Os números mostram também uma desaceleração dos reajustes. A inflação média anual da alimentação em casa caiu de 13,2%, entre 2020 e 2022, para 3%, entre 2023 e 2025.

Reconstrução não acontece de uma hora para outra

Desde 2023, o governo federal iniciou a recuperação da capacidade de atuação da Conab. Mas reconstruir uma política de abastecimento desmontada exige mais do que anunciar recursos.

É necessário garantir produção, comprar os alimentos, organizar o transporte, fiscalizar os produtos e recuperar estruturas adequadas de armazenamento. Por isso, os efeitos dessa reconstrução aparecem gradualmente.

Os estoques públicos reguladores, política destruída durante o governo Bolsonaro e retomada no governo Lula 3, não substituem a produção nem impedem todos os aumentos, que podem ter origens externas, climáticas, entre diversos outros motivos. No entanto, garantem ao Estado condições para agir quando a oferta diminui e evitar que problemas temporários provoquem disparadas de preços ainda maiores.

A experiência recente mostra que deixar o abastecimento inteiramente nas mãos do mercado tem consequências. Quando não há reservas nem instrumentos públicos, produtores ficam desprotegidos durante a safra e consumidores pagam a conta nos períodos de escassez.

 

Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini

Faltando poucas semanas para as Eleições 2026, o SEEF lança uma nova edição do SEEF em Foco, desta vez dedicada a um tema que interfere diretamente na vida de quem trabalha: a relação entre as escolhas feitas nas urnas e os direitos da classe trabalhadora.

No dia 4 de outubro, brasileiras e brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.  A nova edição chama a atenção para a importância de conhecer não apenas as propostas apresentadas durante a campanha, mas também a trajetória de quem já exerce mandato. Afinal, deputados e senadores participam diretamente da aprovação, alteração ou retirada de direitos que atingem o cotidiano dos trabalhadores.

Um dos exemplos apresentados pelo SEEF em Foco é a votação do fim da escala 6x1. Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, distribuída em cinco dias, com dois dias de descanso. No primeiro turno, foram 472 votos favoráveis e 22 contrários; no segundo, 461 votos a favor e 19 contra. A publicação mostra como se posicionaram os deputados federais de Santa Catarina nessa votação, apresentando quem votou a favor, quem votou contra e quem esteve ausente. A proposta é oferecer informação para que cada trabalhador possa conhecer a atuação dos seus representantes e avaliar seus posicionamentos em temas relacionados ao mundo do trabalho.

A edição também traz orientações para enfrentar a desinformação durante o período eleitoral, com indicação de ferramentas oficiais para consultar candidaturas, verificar informações e esclarecer dúvidas sobre o processo eleitoral.

Em um cenário de grande circulação de conteúdos nas redes sociais e do avanço de materiais manipulados por inteligência artificial, conferir a origem das informações antes de compartilhar se torna ainda mais importante. O TSE atualizou, inclusive, as regras sobre o uso de inteligência artificial nas Eleições 2026.

Leia a nova edição do SEEF em Foco, informe-se e acompanhe as propostas e a atuação de quem pretende representar os trabalhadores.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (1º) a adesão do Brasil à Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), tratado internacional que estabelece o direito de todas as pessoas a um mundo do trabalho livre de violência e assédio. O governo brasileiro encaminhou o texto ao Congresso em 2023. A proposta segue, agora, para o Senado Federal que irá analisar e votar a matéria.

A aprovação representa um avanço na proteção de trabalhadores e trabalhadoras contra práticas que podem ir muito além do assédio moral ou sexual. A Convenção considera violência e assédio comportamentos, práticas ou ameaças capazes de provocar danos físicos, psicológicos, sexuais ou econômicos.

Adotada pela OIT em 2019 e em vigor internacionalmente desde 2021, a C190 é o primeiro tratado internacional dedicado especificamente ao tema. Para um profisisonal, sua importância está justamente em ampliar a compreensão sobre a violência no trabalho e reforçar a necessidade de prevenir essas situações, proteger as vítimas e combater as condições que favorecem abusos.

O que significa a Convenção para o trabalhador

A Convenção não olha apenas para a agressão explícita. Uma ameaça, uma humilhação, uma intimidação, o assédio sexual, uma prática discriminatória ou uma forma abusiva de gestão também podem atingir a saúde, a renda e a permanência do trabalhador no emprego.

Outro ponto importante é o conceito de “mundo do trabalho”. A proteção não fica restrita ao espaço físico da empresa. A definição adotada pela OIT acompanha as diferentes situações relacionadas ao trabalho e permite considerar as transformações nas relações profissionais, como o teletrabalho e o trabalho realizado por meio de plataformas digitais.

A C190 também reconhece que determinados grupos podem estar mais expostos à violência e ao assédio, especialmente trabalhadores em situações de maior vulnerabilidade.

O avanço, portanto, não está apenas em reconhecer novas formas de violência, mas em tratar o problema como uma questão de direitos trabalhistas, saúde, segurança, igualdade e dignidade.

Prevenção antes que o trabalhador adoeça

Um dos principais pontos da Convenção é colocar a prevenção no centro do enfrentamento da violência e do assédio.

Não basta agir quando o trabalhador já adoeceu, pediu demissão ou decidiu denunciar. É necessário identificar as condições de trabalho que podem favorecer situações de abuso e adotar medidas para evitá-las.

Nesse debate entram a pressão excessiva, metas abusivas, jornadas extensas, discriminação e formas autoritárias de gestão. A discussão desloca o foco exclusivamente da conduta individual para também considerar como o trabalho é organizado.

Isso significa que a responsabilidade pela prevenção não pode recair apenas sobre quem sofre a violência. Empresas e governos também precisam adotar políticas de prevenção, criar mecanismos seguros de denúncia e garantir proteção a quem procura ajuda.

A participação dos trabalhadores e de suas organizações também é fundamental. A negociação coletiva pode contribuir para estabelecer protocolos, canais de denúncia, medidas preventivas e formas de acompanhamento das condições de trabalho.

Para o movimento sindical, a Convenção reforça a importância de transformar casos individuais de assédio e violência em uma questão coletiva de direitos.

Mulheres e trabalhadores vulneráveis

A violência e o assédio relacionados ao gênero ocupam lugar de destaque na C190. A OIT reconhece que essas práticas estão ligadas às desigualdades existentes no mundo do trabalho e podem atingir de maneira particular as mulheres.

O enfrentamento do assédio sexual e da discriminação, portanto, também faz parte da luta pela igualdade de gênero.

A Convenção orienta ainda a atenção para trabalhadores e trabalhadoras que estejam em situações de maior vulnerabilidade. A proteção precisa considerar as diferentes condições em que as pessoas entram, permanecem e se movimentam no mercado de trabalho.

 

Escrito por: Redação CUT

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho deve ser votada nesta quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. A análise da proposta é um passo necessário para que o texto avance para o Plenário da Casa e ocorre após meses de pressão do movimento sindical pela aprovação da medida.

A pressão sobre os senadores continua nesta semana. Nesta terça-feira (1), a CUT convoca suas Estaduais, ramos e sindicatos filiados para uma Ação Nacional nas Redes e na plataforma Na Pressão, com mobilização durante todo o dia pela votação da proposta.

A orientação é reforçar nas redes sociais as mensagens “Vota Senado! Vota já, Senado!”, utilizando as hashtags #FimDa6x1 e #ReducaoDaJornadaJa. A iniciativa busca ampliar a pressão sobre os parlamentares às vésperas da votação na CCJ.

Neste domingo (30), trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas de várias capitais brasileiras em defesa do fim da escala 6x1 e da redução da jornada, em atos convocados pela CUT, demais centrais sindicais e movimentos populares.

As mobilizações reforçaram a pressão sobre o Congresso Nacional para que os parlamentares aprovem a proposta e avancem na construção de uma jornada de trabalho que garanta mais tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida para os trabalhadores e trabalhadoras.

Para utilizar o Na Pressão é muito simples

Basta acessar o link napressao.org.br e clicar em pressionar. Também é possível acessar a plataforma clicando diretamente no banner superior no Portal da CUT.

Os nomes dos senadores estão listados indicando quem é contra, quem está indeciso e quem é a favor. É possível verificar o posicionamento de cada senador buscando por estado, por partido ou pelo nome, e mandar mensagens diretamente ao parlamentar.

Bandeira histórica da CUT

A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 são bandeiras históricas da CUT e ganharam espaço no debate político nacional. O avanço da matéria no Senado ocorre após a pressão dos trabalhadores nas ruas e a reunião de Lula com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na última semana.

A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, mas ficou sem avançar no Senado em meio ao distanciamento político entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Em agosto, Alcolumbre encaminhou a proposta para a CCJ, permitindo a retomada da tramitação.

A expectativa agora é que os senadores da comissão analisem o texto nesta quarta-feira. Caso seja aprovado, o próximo passo será a votação no Plenário do Senado. Para ser promulgada, a PEC ainda precisará ser aprovada pelos senadores em dois turnos.

Mudanças

Mesmo que a proposta seja aprovada e promulgada durante o esforço concentrado do Congresso antes das eleições, as mudanças previstas não serão imediatas. O texto aprovado pela Câmara estabelece um período de transição para a redução da jornada e a garantia de dois dias de descanso por semana.

Pela proposta, a aplicação das novas regras começa 60 dias após a aprovação da PEC. O atual limite constitucional de 44 horas semanais será reduzido inicialmente para 42 horas.

Depois de 14 meses da promulgação, a jornada será novamente reduzida, chegando a 40 horas semanais. A proposta também garante dois dias de descanso por semana, mudança que, na prática, encerra a atual lógica da escala 6x1.

 

Fonte: Redação CUT | Editado por: Walber Pinto

O salário mínimo nacional poderá chegar a R$ 1.741 em 2027, segundo projeção anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta segunda-feira (24). O valor deverá constar no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que será encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto.

Caso a estimativa seja confirmada, o piso terá um aumento de R$ 120 em relação aos atuais R$ 1.621, o equivalente a aproximadamente 7,4%. A nova previsão também é R$ 24 superior aos R$ 1.717 projetados anteriormente pelo governo no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

 O reajuste previsto mantém a atual política de valorização do salário mínimo, que combina a reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) com um ganho real, acima da inflação, limitado a 2,5% pelas regras em vigor.

 A valorização do piso nacional é importante não apenas para quem recebe diretamente um salário mínimo. O valor também serve de referência para uma série de benefícios previdenciários e assistenciais e, ao garantir ganho real de renda, contribui para ampliar o poder de compra da população e movimentar a economia.

 Valor ainda é uma projeção
Apesar do anúncio, os R$ 1.741 ainda não representam o valor definitivo do salário mínimo de 2027. O cálculo final dependerá do comportamento da inflação nos próximos meses. O valor será definido após a divulgação do INPC acumulado até novembro. Caso a inflação registrada seja diferente daquela considerada atualmente nas projeções do governo, o piso poderá sofrer alteração.

 Pela regra vigente, o reajuste considera a inflação e acrescenta um percentual de crescimento real. Dessa forma, além de preservar o poder de compra diante do aumento dos preços, a política busca garantir que trabalhadores e trabalhadoras tenham crescimento efetivo da renda.

 Reajuste alcança aposentadorias e benefícios
O aumento do salário mínimo também repercute diretamente em aposentadorias, pensões e benefícios sociais vinculados ao piso nacional. Cerca de 45% dos benefícios pagos pelo Regime Geral da Previdência Social (RGPS) têm valor relacionado ao salário mínimo. Entre os pagamentos afetados estão aposentadorias e pensões do INSS, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego e o abono salarial. A contribuição previdenciária paga pelos Microempreendedores Individuais (MEIs) também é calculada a partir do piso.

 Por atingir principalmente trabalhadores, aposentados e famílias de menor renda, a valorização do mínimo também tem impacto na atividade econômica. Uma parcela significativa do aumento da renda tende a retornar rapidamente à economia por meio do consumo de alimentos, moradia, transporte e outros itens essenciais.

 Política de valorização fortalece renda dos trabalhadores
A recuperação do poder de compra do salário mínimo é uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro. A política de valorização permite que o piso não fique restrito à simples reposição das perdas provocadas pela inflação, incorporando também aumento real.

 Para o movimento sindical, garantir salários que avancem acima do custo de vida é fundamental para melhorar as condições de vida da classe trabalhadora, reduzir desigualdades e fortalecer o mercado interno.

 O PLOA de 2027 ainda será analisado pelo Congresso Nacional. Já o valor definitivo do salário mínimo deverá ser conhecido em dezembro, após a divulgação dos dados necessários para o cálculo. Confirmada a projeção atual, o novo piso de R$ 1.741 entrará em vigor em janeiro de 2027.

O SEEF lança uma nova edição do SEEF em Foco, informativo produzido pelo Sindicato para levar informação sobre direitos, mobilizações e temas que fazem parte do cotidiano dos trabalhadores e trabalhadoras da categoria.

Nesta edição, um dos destaques é a 6ª Marcha dos Catarinenses, que acontece nesta terça-feira, 18 de agosto, em Florianópolis. A concentração começa às 13h, no Parque da Luz, na cabeceira da Ponte Hercílio Luz.

A mobilização reúne centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais de diferentes regiões de Santa Catarina e marca a retomada da Marcha dos Catarinenses, cuja última edição ocorreu em 2014.

Entre as bandeiras que estarão nas ruas estão o fim da escala 6x1 e a redução da jornada sem redução salarial, o combate às renúncias fiscais, o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres, a defesa dos serviços e empresas públicas, o direito à moradia, o combate ao racismo e a defesa dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

O SEEF convoca os trabalhadores e trabalhadoras de edifícios, condomínios e imobiliárias da Grande Florianópolis a participarem da mobilização e ocuparem as ruas em defesa de seus direitos.

Assédio eleitoral no ambiente de trabalho

Outro tema abordado nesta edição é o assédio eleitoral, prática que merece atenção com a aproximação das eleições.

O informativo explica como identificar situações em que empregadores ou pessoas em posição de poder utilizam a relação de trabalho para tentar interferir na escolha política dos empregados.

Ameaçar demissão ou transferência, oferecer benefícios em troca de apoio político, obrigar a participação em atos de campanha, exigir manifestações nas redes sociais ou pressionar o trabalhador para revelar seu voto são algumas das práticas que podem caracterizar assédio eleitoral.

A edição também apresenta casos de empresas já condenadas pela Justiça do Trabalho e orienta os trabalhadores sobre a importância de guardar provas e denunciar situações de pressão ou constrangimento.

Para o SEEF, combater o assédio eleitoral também significa defender a participação política livre da classe trabalhadora. As eleições influenciam decisões sobre salários, jornada, aposentadoria, direitos trabalhistas, serviços públicos e outras questões que afetam diretamente a vida de quem vive do trabalho.

Informação é uma ferramenta para conhecer direitos, participar das decisões e fortalecer a organização coletiva. Leia a nova edição do SEEF em Foco, compartilhe com seus colegas e participe das mobilizações da categoria.

 

Com a chegada do período eleitoral, a Justiça do Trabalho chama a atenção para uma prática que busca interferir na liberdade do eleitor em escolher seu candidato e no exercício do voto livre e secreto: o assédio eleitoral nas relações de trabalho. Em muitas situações, patrões ou pessoas em posição de poder agem para induzir o trabalhador a votar em determinado político, às vezes com promessas de benefícios ou mesmo com ameaças à continuidade do emprego.

A prática é proibida e pode gerar consequências nas esferas trabalhista, eleitoral e, conforme o caso, criminal.

O assédio eleitoral ocorre quando alguém utiliza sua posição de poder no ambiente de trabalho para influenciar, constranger ou pressionar trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político.

Essas situações podem dar origem a ações trabalhistas na Justiça do Trabalho, especialmente em casos de ameaça, constrangimento, discriminação ou abuso do poder diretivo do empregador, com possibilidade de responsabilização e indenização pelos danos causados.

Esse foi o caso de uma indústria de embalagens de Rio Verde (GO), condenada por coação política no ambiente de trabalho durante o segundo turno das eleições de 2022.

No curso do processo ficou constatado que a empresa promoveu reuniões para pressionar empregados a apoiarem determinado candidato nas eleições de 2022. Segundo depoimentos de testemunhas, os trabalhadores foram informados de que receberiam folga caso o candidato apoiado pela empresa vencesse o pleito.

Nesse caso, a Justiça do Trabalho condenou a empresa a indenizar por danos morais cada trabalhador ativo no período da campanha eleitoral no valor de R$1.000,00.

Em outro caso, uma empresa de coaching de Vitória (ES) foi condenada a indenizar uma vendedora por assédio eleitoral em 2022. A ação demonstrou que os empregados eram pressionados a manifestar seu voto no candidato apoiado pela empresa.

A empresa fazia pressão psicológica para que os empregados se posicionassem publicamente em favor do então presidente da República, que concorria à reeleição. A gestora fazia interferia para que os empregados revelassem o voto, deixando  clara  a possibilidade  de demissão de quem não adotasse a mesma linha. 

Como a vendedora decidiu não revelar suas posições políticas, foi dispensada às vésperas do segundo turno, com mais três colegas de trabalho.

Na ação, ela demonstrou que a demissão foi motivada por não ter manifestado apoio ao candidato da empresa. Para tanto, juntou ao processo áudios e mensagens em aplicativos. As testemunhas ouvidas confirmaram que a empresa apoiava o candidato e induzia os empregados a fazê-lo. A indenização foi fixada pela Justiça do Trabalho em R$ 8 mil.

Vale destacar que nem toda conversa sobre política configura assédio eleitoral. O problema ocorre quando há pressão, intimidação ou qualquer forma de constrangimento em razão da relação de trabalho.

São exemplos de assédio eleitoral:

    • ameaçar demitir, transferir ou prejudicar empregados caso não votem em determinado candidato; 

    • prometer aumento salarial, promoção, bônus ou qualquer benefício em troca de voto; 

    • obrigar trabalhadores a participar de atos, reuniões, passeatas ou campanhas políticas; 

    • exigir a divulgação de candidatos nas redes sociais pessoais dos empregados; 

    • constranger trabalhadores a revelar em quem pretendem votar; 

    • humilhar, perseguir ou discriminar empregados por suas opiniões políticas. 

Também configura assédio eleitoral qualquer tentativa de utilizar a relação de emprego para influenciar a liberdade de escolha do trabalhador durante o período eleitoral.

Como denunciar:

Quem sofrer ou presenciar uma situação de assédio eleitoral deve, sempre que possível, guardar provas, como mensagens, e-mails, áudios, vídeos, fotografias ou a identificação de testemunhas. Esses elementos podem contribuir para a apuração dos fatos.

A denúncia pode ser apresentada ao Tribunal Superior do Trabalho, ao Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT). O denunciante pode solicitar o sigilo de sua identidade.

O CSJT disponibilizou uma página na internet onde o eleitor pode tirar dúvidas sobre o que é assédio eleitoral, conhecer exemplos dessa prática e saber quais as penalidades.

O que pode acontecer com o (a) empregador (a) que praticar assédio eleitoral?

O empregador que praticar assédio eleitoral no trabalho pode enfrentar sérias consequências, como multa; rescisão indireta do contrato de trabalho – nesse caso, o trabalhador pode pedir a rescisão indireta do contrato de trabalho, podendo sair do emprego e receber direitos como se tivesse sido demitido sem justa causa; indenização por danos morais para o trabalhador; e sanções penais, que pode chegar até a prisão, dependendo da gravidade da situação.

É bom destacar que o empregador pode evitar esse tipo de problema, bastando apenas respeitar a escolha política de cada trabalhador e não usar o ambiente de trabalho para influenciar votos. É importante promover um ambiente justo e livre de pressões.

O SEEF acaba de publicar a edição nº 156 do Notícias do SEEF, trazendo informações importantes sobre as recentes conquistas da categoria e os principais debates que impactam a vida dos trabalhadores e trabalhadoras.

 Entre os destaques desta edição está a assinatura das Convenções Coletivas de Trabalho, que garantiram reajuste salarial de 5,5%, retroativo a 1º de maio, além da atualização dos pisos salariais e dos benefícios para as categorias representadas pelo sindicato. O boletim também apresenta os novos valores dos pisos e orientações sobre a contribuição negocial aprovada em assembleia pela categoria.

 A publicação ainda aborda temas de grande relevância para os trabalhadores, como as mudanças na NR-1, que ampliam a proteção à saúde mental no ambiente de trabalho ao reconhecer riscos psicossociais como assédio, metas abusivas e jornadas excessivas.

 Outro destaque é a mobilização nacional pelo fim da escala 6x1. O boletim explica a tramitação da proposta no Senado, relembra a aprovação da PEC na Câmara dos Deputados e apresenta a lista dos deputados federais catarinenses que votaram contra a redução da jornada de trabalho.

 A edição também traz uma análise sobre a justiça tributária em Santa Catarina, baseada no estudo Radiografia de Classes das Contas Públicas de Santa Catarina. A reportagem mostra que a classe trabalhadora é responsável pela maior parte da arrecadação do ICMS no estado, enquanto bilhões de reais são concedidos anualmente em benefícios fiscais às grandes empresas, levantando o debate sobre o uso dos recursos públicos.

 Fechando a publicação, o SEEF convida a categoria a refletir sobre a importância do voto consciente nas eleições de outubro. O texto reforça que deputados, senadores, governadores e presidente tomam decisões que impactam diretamente os direitos trabalhistas, os serviços públicos e a qualidade de vida da população, destacando a necessidade de conhecer a trajetória e o compromisso dos candidatos com a defesa da classe trabalhadora.

 O Notícias do SEEF está disponível para ser baixado neste link: https://www.seef.com.br/midia/boletim-informativo.html

Após doze anos, a classe trabalhadora catarinense voltará a ocupar as ruas da capital do estado. No próximo 18 de agosto, Florianópolis receberá a 6ª Marcha dos Catarinenses, grande mobilização que reunirá trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, centrais sindicais, movimentos sociais, estudantes, juventude e organizações populares em defesa de um estado mais justo, democrático e comprometido com quem produz a riqueza de Santa Catarina.

A última edição da Marcha aconteceu em 2014. Agora, a mobilização retorna em um contexto marcado pelo aumento das desigualdades, pelos ataques aos direitos sociais e trabalhistas no estado e pela necessidade de fortalecer a organização popular em defesa de um novo projeto para Santa Catarina.

 Na noite da última quinta-feira (23), o presidente do SEEF, Rogério Manoel Corrêa, participou da Plenária da Regional Florianópolis da CUT-SC, realizada no auditório do Sintespe. O encontro reuniu mais de 30 representações do movimento sindical e social da Grande Florianópolis para debater a conjuntura política e social do estado e organizar a participação da região na Marcha.

 Durante a plenária, dirigentes sindicais e representantes de movimentos sociais reafirmaram a importância da mobilização como instrumento de defesa dos direitos da classe trabalhadora diante dos desafios enfrentados em Santa Catarina e no país. Também foram definidas estratégias para fortalecer a participação das entidades, organizar caravanas e ampliar a presença de trabalhadores e trabalhadoras da Grande Florianópolis no ato do dia 18 de agosto. 

Marcha defenderá direitos da classe trabalhadora

 Com o lema "Do campo à cidade, quem constrói Santa Catarina é a classe trabalhadora", a Marcha dos Catarinenses será construída de forma unitária pelas centrais sindicais CUT, CTB, CSB, Nova Central Sindical de Trabalhadores, Intersindical, UGT e Força Sindical, em conjunto com movimentos sociais e populares.

 Entre as principais pautas da mobilização estão o fim da escala 6x1, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a regulamentação da negociação coletiva no serviço público, a valorização dos serviços públicos e das empresas públicas, o combate ao feminicídio, a defesa da agricultura familiar, da reforma agrária, dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, além do enfrentamento aos ataques aos direitos trabalhistas, aos movimentos sindicais e às organizações sociais.

 Para o presidente do SEEF, Rogério Manoel Corrêa, a Marcha representa um momento importante de unidade da classe trabalhadora "Nenhum direito foi conquistado sem organização e mobilização. A Marcha dos Catarinenses é um espaço para mostrar que os trabalhadores e as trabalhadoras querem participar da construção de um estado mais justo e que não aceitarão retrocessos. O SEEF estará presente e convida toda a categoria a marchar conosco no dia 18 de agosto."

 Categoria está convidada a participar

 O SEEF convida todos os trabalhadores e trabalhadoras representados pelo Sindicato a participarem da 6ª Marcha dos Catarinenses. A concentração será a partir das 13h, em Florianópolis. Em breve, serão divulgadas mais informações sobre o local de concentração e a participação da categoria.

Milhões de trabalhadores brasileiros deverão receber, até o fim de agosto, uma parcela dos lucros obtidos pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em 2025.

A expectativa é que o Conselho Curador do FGTS aprove, na próxima terça-feira (28), a distribuição de R$ 13,04 bilhões entre cerca de 138,2 milhões de pessoas que possuíam saldo em contas vinculadas ao fundo no ano passado.

Os recursos serão depositados automaticamente nas contas do Fundo até 31 de agosto, sem necessidade de solicitação por parte dos trabalhadores. A consulta ao crédito poderá ser feita pelo aplicativo do FGTS ou pelo site da Caixa Econômica Federal.

Com a distribuição dos lucros, a rentabilidade das contas em 2025 deverá alcançar 6,90%, índice superior à inflação oficial medida pelo IPCA, que fechou o ano em 4,26%.

Dessa forma, os cotistas terão um rendimento real de aproximadamente 2,53 pontos percentuais acima da inflação.

Os recursos serão creditados pela Caixa Econômica Federal, responsável pela administração do FGTS, sob supervisão do Conselho Curador do fundo, presidido pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

Distribuição dos lucros deve atingir 89% do lucro líquido do FGTS em 2025

A proposta que será analisada pelo Conselho Curador prevê o repasse de aproximadamente 89% do lucro líquido registrado pelo FGTS em 2025. No período, o fundo apresentou resultado positivo de cerca de R$ 14,6 bilhões.

O valor destinado a cada trabalhador será calculado de forma proporcional ao saldo existente em sua conta vinculada em 31 de dezembro de 2025. Isso significa que quem tinha maior saldo receberá uma parcela maior dos lucros.

Segundo a proposta, será aplicado um índice de 0,01868341 sobre o saldo de cada conta. Na prática, um trabalhador que possuía R$ 1 mil no FGTS ao final de 2025 receberá aproximadamente R$ 18,68 referentes à distribuição dos lucros.

Os depósitos serão realizados automaticamente pela Caixa Econômica Federal nas contas vinculadas ao fundo.

Terão direito ao crédito todos os trabalhadores que possuíam saldo em contas do FGTS em 31 de dezembro de 2025, mesmo que as contas estejam inativas.

A divisão dos recursos segue o saldo existente em cada conta; assim, trabalhadores com mais de uma conta vinculada receberão valores proporcionais ao saldo de cada uma.

A distribuição dos lucros também contribui para elevar o rendimento do FGTS. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a remuneração das contas do fundo deve garantir, no mínimo, a reposição da inflação medida pelo IPCA. A remuneração das contas do FGTS é composta por juros de 3% ao ano, Taxa Referencial (TR) e distribuição dos lucros.

Com o pagamento previsto para este ano, o rendimento total das contas alcançará 6,90%, superando o índice oficial de inflação de 2025 e garantindo ganho real aos trabalhadores.

Além de funcionar como uma reserva financeira para situações como demissão sem justa causa, aquisição da casa própria e aposentadoria, o FGTS também financia programas habitacionais, obras de infraestrutura urbana e projetos de saneamento básico.

Distribuição de lucros do FGTS se tornou prática anual

A distribuição dos resultados positivos do FGTS vem sendo adotada regularmente pelo Conselho Curador nos últimos anos.

Em 2025, foram distribuídos R$ 12,9 bilhões, correspondentes a 95% do lucro obtido pelo fundo em 2024.

No ano anterior, o Conselho aprovou o repasse de R$ 15,2 bilhões aos cotistas, em decisão unânime.

Já em 2023, o FGTS registrou lucro recorde de R$ 23,4 bilhões, mas apenas cerca de 65% desse valor foi repartido entre os trabalhadores, conforme proposta apresentada pelo Ministério do Trabalho.

A expectativa é que a aprovação da nova distribuição ocorra na reunião do Conselho Curador marcada para a próxima terça-feira, mantendo a política de compartilhar parte dos resultados do fundo com os trabalhadores brasileiros.


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Manual do trabalhador

Um instrumento dos trabalhadores na defesa dos seus direitos. Ele apresenta as principais garantias previstas na legislação e nas convenções e acordos coletivos de trabalho assinadas pelo Sindicato.

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SEEF - Sindicato dos Empregados em Edifícios e em Empresas de Compra
Venda, Locação e Administração de Imóveis de Florianópolis/SC

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